sexta-feira, 11 de maio de 2007


Vi a Exposição de Clarice Lispector, no Museu da Lingua Portuguesa. Eu sou suspeita para comentar, pois gosto muito como ela consegue traduzir o desconforto de sentir em palavras. Nada do que vem dela é raso. Em "suas" gavetas estão guardadas cartas que ela mandava e recebia de grandes cronistas, dos quais também sou fã, como Otto Rezende de Lara e Rubem Braga. É denso e leve, intenso e claro, confuso e inspirador.




De lá fui ver o filme do Cartola - sambista fundador da "Estação Primeira de Mangueira". Como a genialidade e o talento podem estar escondidos no meio da vida humilde, da simplicidade, né??? Poeta do morro, que quase não tinha dentes na boca, que pôde mostrar pro mundo como se faz samba. Uma tarefa talvés injustamente taxada de fácil, porém com letras que fluiam entre um gole de cerveja e outro de cachaça.


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Se existe uma pessoa de quem eu cultivo uma inveja (saudável), essa pessoa é Nelson Motta. Carácoles, esse sim sabe o que é música brasileira, porque ele sempre esteve no meio dela nos momentos mais importantes da história. Ele conviveu com Cartola, Zé Keti, Carlos Chachaça, Tom Jobim, Vinicius, Chico, Mutantes, Novos Bahianos, Cazuza, Paralamas... Ele viveu tudo aquilo...!

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Momento mistério...

Já estava a procura do livro "On the Road", de Jack Keroauc há um tempão, mas nas livrarias todas as edições sempre estavam esgotadas... Daí, comentando com a Fer sobre esse livro e a geração beat, ela me disse: "vamos tentar procurar num sebo, que aqui na Paulista tem um monte". Foi atravessar a rua Augusta, em frente ao Espaço Unibanco, demos de cara com um sebo, entramos e o primeiro livro que eu vejo, na estante de frente para a porta da loja, qual é? Siiiim, "On the Road", de Jack Kerouac. Eu peguei o livro depois de esclamar um longo "Nooooossa" e a moça ainda disse: "olha um cara acabou de deixar esse livro aqui, ou algo do tipo, um cara pegou nele agora e quase leva, é o único que temos". Foi algo assim, dando a entender que por pouco esse livro não aparecia na minha frente como apareceu naquele momento. Mas ela falava e eu só conseguia pensar... - "Cruzes! Eu estava falando do livro, estou há um tempo a procura dele, íamos procurar um sebo, não tínhamos noção de que atravessando a rua tinha um, ele estava na porta (na PORTA, depois de uma busca incessante pelo livro). Na hora veio o pensamento: "Esse livro tinha que ser meu". E ainda por cima, estava meio caro e consegui um descontinho na hora de pagar. Foi meio weird, but... Comecei a ler e estou amando.


Para quem não sabe, a história é sobre dois amigos que viajam do leste para o oeste americano, de carro, visitando cidade por cidade, no maior espirito jovem, libertário, hippie e mochileiro. Esse livro deu o nome a uma geração - The Beat Generation. Eles filosofam sobre a vida, sobre a viagem, sobre pessoas, sobre literatura e sobre drogas. Dizem que o personagem principal é o próprio escritor e que ele escrevia cerca de 7, 8 horas seguidas, sem interrupção, a base de Benzedrina. O lema era viver e experimentar tudo, no seu limite. Uma coisa que aqui no Brasil só poderia ser ilustrado ao que o Cazuza foi e como viveu, por exemplo.

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Eu não gosto de gente que usa droga para fazer ceninha, para se firmar, para se mostrar, para mostrar que é descolado. Odeio ceninha. Odeio gente idiota. Até de bêbado tenho raiva, quando se vê que a pessoa bebe, nem está bêdada e mesmo assim faz ceninha. Mas admiro quem consegue se livrar das regras impostas pela moral, infrige os "dógma" do que é proibido e cria coisas absurdamente criativas sob efeito de substâncias alucinógenas. De certa forma, isso os tiram do mundo das razões e os levam para outra dimensão. Uma bem mais sentida e filosófica, enfim... Os grandes músicos, poetas, atores, escritores sempre foram boêmios, talvés porque sentir o mundo como ele realmente é, machuca e sair um pouco "fora do ar", faz com que todo esse sofrimento se torne em algo belo e artísitco. Eu sou careta pra caraleo, mas não julgo. Gosto de conhecer e conviver com gente de todo tipo e de trocar idéia. Pode ser uma experiência bem rica. Mas não preciso nem dizer o fim que levam todos esses que vivem uma vida desregradas, né? Morrem cedo, mesmo tendo vivido tudo em tão pouco tempo, que nem de longe chega ao que se vive uma pessoa correta, em cerca de 100 anos. Mas, o fim é sempre trágico, bem tristes e bem solitário. Mas não condeno a experiência. Nem tudo vicia, é verdade.

O difícil mesmo é viver sentindo em demasia as dores do mundo, transformar tudo isso em ARTE, mesmo sofrendo, sem nenhum tipo de anestésico. Isso é possível? Sim. É nessa verdade em que eu acredito. Mas se for falar em arte, que ela seja concebida de todas as formas e direitos possíveis. Respeito é o que deve existir. Sempre*!

E eu sou fã incomensurável de Cazuza, do jeitinho que ele era.

"Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll...

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor... Meu amor".

2 comentários:

Anônimo disse...

Meu Deus! Que blog liiiiiiiindo! Super chique, sério, mas não sério... Jornalístico, adorei! Sou sua super fã agora!
Beijos
PS - Eu fui num evento que o Nelson Motta estava, era uma homenagem ao Vinícius... nossa... foi DEMAIS!

disse...

Valeu Rafinha! Jornalistico...Acho que eu só tive intensão jornalística uma vez na vida, quando decidi prestar para jornalismo e passei. rs Depois de terminar a faculdade, hurrgh, desisti. Por isso que faço mkt, mas já te contei essa história. rs
Volte sempre!
bjinho