(Texto do www.danossajanela.wordpress.com - blog para o qual escrevo todo sábado)
Ontem foi a primeira vez que fui num Teatro aqui em Londres. Eles são bem populares, famosos e há peças da Broadway que estão em cartaz há 10 anos, como é o caso da adaptação do filme da Disney “O Rei Leão”. E o povo, seja ele turista ou não, lota os espetáculos espalhados pela cidade. Mas quando minha amiga me convidou, eu hesitei um pouco, pois como só começo a trabalhar no final do mês e até lá tenho que salvar o meu dinheiro, como eles dizem aqui: “I have to save my money”, estava um pouco reticente em gastar... No entanto, graças ao site www.lastminut.co.uk, conseguimos um super desconto que me fez mudar de idéia. Ainda bem!
Combinamos de nos encontrar na Charing Cross Tube Station às 19h, para chegar a tempo para a peça que começava às 19h30. Retiramos na recepção os 2 tickets que já haviam sido pagos, via internet, na quinta à noite e fomos procurar os nossos assentos. Ficamos num lugar lá bem no alto do teatro, pois os nossos ingressos eram do mais barato, mas que não atrapalhou em nada a nossa visão. Tirei fotos do teatro assim que cheguei e também logo no início da peça e óbvio que levei uma educada bronquinha, pois não podia tirar foto após o início do espetáculo (mesmo sem flash)...
Fomos assistir La Cage Aux Folles (http://www.lacagelondon.com/home), que é uma obra teatral francesa escrita inicialmente em 1973, que deu origem ao musical norte-americano da Broadway em 1983 e depois virou filme, mais conhecido no Brasil como “A Gaiola das Loucas”, encenado por Robin Williams. O show ganhou diversos prêmios, pois só assistindo ao musical para entender porque ele pode ser chamado de show. Animadíssimo e muito bem produzido, essa versão montada aqui em Londres é uma obra de arte. O musical é engraçadíssimo, apresenta um figurino requintado, a trilha sonora é toda tocada ao vivo com instrumentos de sopro, piano, acordeom, baixo e violoncelo, as coreografias sincronizadas e os atores/cantores são ultra-talentosos e hilários. E para aumentar a popularidade do espetáculo, ele é encenado por um showman da TV britânica, bem famoso.
Ri muito, mas muito mesmo e me senti orgulhosa de mim mesma por ter entendido bem uma peça encenada toda em inglês britânico, já que o sotaque deles, diga-se de passagem, é bem fechado... E eu saí de lá feliz! Feliz por ter saído de casa numa noite chuvosa e bem fria; por ter gasto meu dinheiro muito bem gasto, pois na minha opinião gastar com cultura não é jogar dinheiro fora; por ter me sentido pela primeira vez em Londres... Engraçado isso... Me senti morando aqui exatamente depois de um mês que cheguei. E acho que foi porque me diverti como eles. E na platéia tinham idosos, gente de meia-idade e jovens, até mais jovens que eu... rs E o trajeto de volta foi assim: saí do teatro, vi a London Eye toda iluminada, a rua estava cheia de taxis e gente e tinha parado de chover. O vento estava gelado e congelou minha mão, passei pela Trafalgar Square e vi a fonte iluminada de azul, bem no meio da praça e depois, ao fundo, vi a National Gallery. Despedi-me da Rê, que ia voltar de ônibus para a casa dela e eu de metrô. Liguei meu Ipod e fui andando pelos túneis intermináveis do tube até a “minha” linha, ouvindo minhas músicas prediletas. O trem sentido Edware chegou e eu entrei no vagão e fui sorrindo, com uma sensação boa até chegar em casa. Finalmente me senti morando em Londres. Quase um Déjà Vu de quando me imaginava andando por aqui, quando ainda sonhava em morar nessa cidade um dia. É, finalmente me senti uma “cidadã londrina”, pela primeira vez....
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